quinta-feira, 11 de junho de 2015

CARTAS DO SEU MELHOR AMIGO




"Eu já até te imagino apontando esse dedinho pro meu rosto e dizendo, irada que só: 'Vocês são todos iguais!', enquanto eu, desorientado como qualquer cara que não sabe o que as mulheres querem, quando querem ou por que querem, fico com um olhar bobo, pensando em uma contestação.

Nos dias bons, quando você ta longe da TPM, ta alimentada com seu chocolate preferido, e usando roupas novas, eu arriscso dizer receoso: 'Mari, olha só, nós não somos todos iguais! Vocês é que são umas loucas por...' (Atenção aos navegantes: chamar uma mulher de louca encerra toda e qualquer discussão, e, é claro, você é um derrotado, estúpido, cheio de argumentos idiotas). Mas às vezes sou mais cauteloso e digo 'Mari, o que é que vocês querem da gente? Quando somos legais, levamos fora. Quando mandamos flores, somos desesperados, quando ignoramos, somos filhos da mãe..?'

E você, irritada demais para ter paciência com seu o seu melhor amigo, me diz que 'Não adianta explicar' –desvia os olhos- 'Você nunca entenderia...'. Tô te falando que to quase desistindo viu.

Que nem aquela vez, numa festa de casamento, em que eu beijei duas de suas amigas, lembra? Antes mesmo que eu chegasse em casa, havia vinte mensagens suas em meu celular que piscavam, lançavam chamas e gritavam 'VOCÊ É UM BABAAAAACA!'. Ok, eu fiquei com duas garotas que eram amigas. Foi na mesma noite, certo. E: elas ficaram sabendo uma da outra e foram bater boca no banheiro, enquanto eu, apoiado em meu copo de vodka, xavecava a terceira, tudo... É... Bom.

Mas justiça seja feita e eu quero que você se lembre daquela vez, Mariana, em que você ficou com meu irmão, com meu primo E com um terceiro aleatório, todos no mesmo dia, lembra? Carnaval de Diamantina, três anos atrás? Meu irmão, que era louco por você, passou todo o Carnaval chorando bêbado e dizendo ‘Aquela desgraçaaaaaada’. Meu primo tava nem aí, queria mais é que sua vez na fila chegasse novamente; e você? Você exalava gim tônica e sorria! Eu fiquei puto tentando te colocar limites e você respondia, debochada, 'Ah, quê que teeeem?.

Então eu te pergunto, minha garota, minha linda, minha melhor amiga: por que é que nós, homens, somos todos uns canalhas e para vocês, mulheres, tudo bem vez ou outra endoidarem e saírem por aí brincando de micareta? Por que a gente é filho da mãe se ignora uma garota, mas tudo bem para vocês darem end no nerd que mandou um poema do Drummond pelo Whatsapp? Por que, me explica, quando um cara se apaixona, você e suas amigas logo se reúnem, estilo convenção das bruxas e enumeram mil defeitos do infeliz, pontuando ao final que ele é um sem noção por ter caído de amores tão rapidamente? Mariana, Mariana, me ajuda a te entender: por que eu sou um cafajeste e você não?

Já te vejo me fuzilando com os olhos bem apertados, abrindo a boca para argumentar três vezes, e dizendo que 'É muito diferente'. Pois agora sou todo ouvidos. Espero uma resposta me explicando essas coisas aí que lhe parecem tão obvias, mas para mim, não tem sentido algum.

Não fica brava comigo, certo? É só mais uma dessas cartas chatas que eu teimo em te escrever quando me falta sono, sobra café e indagações (como aquela última sexta-feira, antes do feriado. Você ficou muito doida né. Me falou um monte de coisa que eu prefiro discutir pessoalmente). Por enquanto, é isso. Não vou te amar menos, ou mais, por perceber que às vezes, somos muito iguais e no fim, ser homem ou ser mulher, pouco muda na prática... (Você sabe, eu digo, por dentro... Alma, essas paradas aí porque por fora somos muito diferentes e, é claro que eu prefiro você! :)   )

Beijos,

Seu melhor amigo, A.

PS: Te pago uma bebida amanhã à noite para fazermos as pazes."





2 comentários:

Silene Silva disse...

Paula...
Amei o texto! Deus estava guiando sua mão, heim? Que sensibilidade, criatividade...Beijos!

Ana Paula disse...

Ei Paula!
Adorei esse post também!
Um abraço, Anap.