domingo, 1 de março de 2015

Se meus sonhos pudessem voar



Se meus sonhos pudessem voar,
estariam mais longe de mim.
Perguntasse por onde iriam,
Voariam pra perto de ti.
Sim, se eu louca fosse,
Soltaria meus sonhos no ar,
E, tão ingênua, criança,
Encheria-me de esperanças
De um dia os alcançar
Mas eu guardo meus sonhos n’uma caixa,
Passo a chave para que não voem,
Imagino que triste seria
Desesperada e vazia,
Procurá-los por toda noite.
E então antes de dormir
Confidencio num sussurro
à pequena que outrora iludi:
"-Estória boba essa de voar
 Pois aquieta o seu coração
Deixe teus sonhos guardados
Vive tua realidade,
Mantenha os pés firmes nos chão
Porque Deus talvez lhe deu sonhos
Para não se sentir sozinha,
E nesse deserto de vida
Teria os amigos guardados
Sempre dentro da sua caixinha".

Paula Lemos


sábado, 21 de fevereiro de 2015

"Eu vivo porque o instante existe"

"-Quantas vezes você já quebrou a cara esse ano..?

-Deeeeeez!!!!!!" 


Sem postagens pessoais, eu sei. O blog é meu, desculpa.
Nunca, nunca deixar de escrever. Nunca deixar de gritar sentimentos, confusões e impressões pelos meus dedos. Nunca deixar de reviver momentos bons -e me alegrar-, e ruins -me alegrar ainda mais, afinal já passaram..-, através de escritos antigos.
Então que não consegui pensar em legenda melhor para essa foto aí em cima e, depois de postá-la, ouvi exatamente 136 "O que aconteceu?", 254 "Essa indireta é pra quem?", 89 "Você está bem?" e daí decidi, com toda tristeza do mundo, arrancando parte de mim, deletá-la. 
Só eu sofro da síndrome de fazer piada com tudo, sobretudo situações que a princípio me deixam #chateada? Só eu quero rir de mim mesma ao invés de me afogar em auto comiseração (como costumava fazer quando tinha dezesseis anos)? Pois eu achei tudo muito engraçado e ainda que não tivesse quebrado a cara um bocado de vez num tempo recorde de sessenta dias, teria inventado estar triste só pra não perder a piada (quantas vezes já não fiz isso?)
Afinal, a ideia de tudo, da foto, da legenda, da vida, da existência (meu Deus, como estou profunda!), é superar essa dorzinha da decepção, e ainda, se sentir cada vez mais forte (e velha) quando nos recuperamos tão mais rápido dos dramas. Como disse em minha finada legenda, vou quebrar a cara mais tantas vezes, ficar emburrada, me despedir do mundo, pensar em parar de brincar, mas daí alguns dias a vontade de viver, sorrir e cantar "Lérigou, lérigou" (até que meus colegas de trabalho me mandem calar a boca) ressurge, e os dias cinza se tornam lembranças longínquas...
Se por vezes minha escrita 'soa' triste, ou amarga, é só virar o texto de cabeça pra baixo para ver o lado bom, a piada despercebida, a melhor parte de mim que às vezes vem às avessas. 
Sorrir, ainda que não lhe chova motivos, gargalhar, mesmo que o tombo seja seu... Viver, porque o instante -seja bom, seja ruim- não vai deixar de existir, e em meio a vendavais e carnavais vou aos poucos me sentindo completa. ¹.  

¹ Cecilia Meireles, wannabe.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

TUTORIAL DO DIA: COMO EXCLUIR NOSSAS MÃES DO FACE?



Estou conversando animadamente com a minha prima sobre a próxima festa do final de semana quando seu telefone toca e ela atende tranquila, daquele seu jeito de ser: 

-Oi mãe. –ela começa. –Como assim, não ta carregando? Han. A internet ta ligada? –suspiro. –Então vê se os aparelhos pretos na sua frente estão ligados. As luzinhas estão piscando? -espera. -Ligou o outro fio na tomada? Ok, agora vai em “atualizar”.

Imagino que do outro lado da linha ela tenha perguntado: “Como assim, atualizar?”.

-Clica na barra e dá ‘enter’ então. –ela começa a perder a paciência. –Dá F5.
Minha outra prima faz uma observação pertinente: fala com ela que não é pra apertar o “F” e o “5” juntos, explica onde é o botão. 

-Mas o que é que você está fazendo na internet? Aff. –já impaciente. –Atualizou? Ai mãe! Quando chegar em casa eu te explico tudo de novo pra ver se você aprende. 

Ela desliga, mas o telefone toca novamente depois de cinco minutos e ela sai da sala, já começando a rir:
-Fala mãe.

Ontem essa mesma prima publicou “Como excluir minhas tias do facebook?” e eu não pude deixar de escrever sobre essa moda que tardiamente chegou para elas, mas causa a mesma comoção que, quando adolescentes, nos causou o finado MSN. Então como resposta do post de Natália, uma delas –a que se diz mais sabida do mundo virtual- responde: “Quê que elas estão fazendo, minha fia? Conta pra titia!”. Nem preciso dizer que isso tudo em tom de deboche, porque se alguns nos acham sarcásticas e engraçadas, não conhecem a geração anterior.

Não vou entrar no mérito de que minhas tias são tudo de bom e o quanto nós, sobrinhas, as admiramos: batalhadoras, fortes, lindas, divertidas e mães, da maneira mais mãe que se pode ser. Mas agora elas já trabalharam demais, sabe, estão querendo mais é curtir a vida, aposentar, viajar e por que não viver no mundo lindo e colorido que existe no facebook. 

Começou sorrateiramente, com uma tia nossa que tem o hábito bacana de descarregar as fotos –QUALQUER FOTO- nos álbuns que carinhosamente intitula “final de semana legal!”, “aniversário de fulano”, e fulano ta lá, com cara de piedade, os olhos revirados, escorrendo baba da boca. Aí ela marca a gente também, porque não basta só a gente feio, tem que marcar. Ela foi a precursora; aí veio aquela tia que tira foto #selfie de seus looks chiquérrimos e posta dizendo que é a cara da Luiza Brunet. Depois do face, o mundo pode estar acabando em barranco, ta todo mundo dentro do carro pra sair, estamos atrasados e ela diz: “Peraí meninas, preciso de uma foto pro meu face!”. Essa daí que se diz sabe tudo. 

Daí todas elas entraram, tipo arrastão. 

 Rosana, Do Carmo, Silvana e Luciana (tia Zulmira ta tirando a foto)


Foi marcação de um lado, publicação sem noção de outro, uma série de “kkkkkk” em qualquer tipo de postagem e coisa e tal. Por fim, minha mãe decidiu que estava no momento de se juntar às suas irmãs. Misericórdia, acabou a paz lá em casa!

Eu quase não usava meu computador, mas agora acho que nem o tenho mais. E é o dia todo ela deitada na cama igual a uma adolescente, rindo, me chamando pra ver o que fulano falou, me perguntando, perguntando, perguntado! Quando ela acorda assim, “se achando”, solta pérolas do tipo “Tenho 97 amigos no face!”. Falta bater no peito. E a outra tia responde maldosamente: 

-Aposto que é tudo da família hihi! 

(E no dia que criei o face dela e, sem querer, esqueci de ocultar a data de nascimento? O mundo acabou. Ela caminhou pela casa toda gritando “Paula!”, “Renan”! O pedido de socorro mais comovente que já presenciei). 

Ontem estávamos os três na sala: Renan tentando dar jeito em meu computador –que sei lá como ela conseguiu fazer parar de funcionar-, eu morrendo com a nova novela das 8 (#emfamília tudo de bom!) e ela sentandinha no meio, computador no colo, dedos frenéticos, risadinhas malvadas. 
Daí eu pergunto alguma coisa como “Cadê a ração dos gatos?” e ela me responde resolutiva, sem levantar os olhos do computador: “Não conversa comigo quando eu estiver no face.”, -pausa para ficar chocada- e pronto, continua teclando! Eu fico indignada por um instante, mas me volto para a novela, aí vem ela: Paula, se eu quiser tirar isso aqui daqui, como faço? Eu respondo, vingativa: “Não conversa comigo quando estiver vendo novela” hihi 
 Ela se vira para Renan, parecendo não ter se ofendido: “Renan, como eu faço pra tirar isso daqui?”, ele lhe sai com outra: “Ah mãe, to tentando consertar o computador que você estragou aqui!”. Ela suspira se fingindo irritada e volta para seu precioso facebook, murmurando ressentida: 

 -É, vocês não sabiam andar nem falar...

Eu não me aguento e quase passo mal de rir. “Espera o intervalo que eu vejo”.

Agora é a hora de elas curtirem essa adolescência que, graças aos cuidados, ao empenho, a tudo que nos proporcionaram, tivemos o prazer de desfrutar.  É a hora de elas entrarem no carro no final de semana para passear e a gente ficar em casa dando comida aos bichos. Viajar em janeiro? Nós estamos trabalhando, não podemos mãe. Mas elas vão mesmo assim e perguntam, acho que mais por educação, se vamos animar passar o fim de semana. Então saímos para trabalhar, morrendo de preguiça, reclamando desse sol escaldante, a bolsa a tiracolo, e elas ficam em casa, curtindo o dia de sol, a viagem, o facebook, a vida. 

O mínimo que podemos fazer para retribuir o amor de mãe, imensurável, é um tutorial para navegar na internet.

*UPDATE: Encontrei essa foto de três delas 'tableteando' desenfreadamente e não pude deixar passar. Lembro que procuravam avidamente por colegas, amigos, familiares: "Joga aí, Zana, o nome de fulano, pra ver se tem face! kkk"; enquanto tia Zu utilizava o tablet como espelho para ajeitar o cabelo. Quem dá conta?





quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Férias e outras expectativas...

(Um texto de Natália Spósito, minha prima, escritora convidada da semana. Enjoy it!)


 

No começo ouvindo "Folhetim", Nara Leão...

Início de Dezembro, bela tarde chuvosa de quinta-feira e cá estou, com um TÉDIO em Caps Lock. 

Para tentar espantá-lo lembrei que a digníssima dona deste blog me havia “convidado” (de forma incisiva) a compartilhar este espaço e a atenção de vocês, nobres pessoas entediadas. Então, eis-me aqui, com esta árdua tarefa de tentar entretê-las, quando eu mesma não consigo me entreter...

Trabalhei o ano inteiro, como uma vaca leiteira na ordenha, esperando ansiosamente o descanso revigorante das férias. O trabalho acabou, as férias começaram; as férias já estão no meio e o tal descanso revigorante nada... Pelo contrário, me sinto psicológica e sentimentalmente muito mais cansada do que quando estava na ordenha.



#behappy
                                           

Os tolos me chamarão de doida, mas sei que vocês leitores inteligentes e entediados, me entendem, pois tudo começou com o ócio que é a causa precípua do tédio (sem o Caps Lock). E aos poucos fui percebendo que fomos adestrados para trabalhar como robôs ou vacas, de tal forma que o trabalho se torna um dos pilares que sustenta nossa existência. Para mim, que sempre detestei trabalhar (sim, quem gosta?! ¬¬’ ), foi um choque perceber isso (ainda mais durante as minhas férias)...

Ah... (suspiro)! Minhas férias, meu descanso revigorante, a paz divina, a oitava maravilha do mundo e tudo o mais que você puder pensar de lindo e maravilhoso. Meus planos, vários por sinal (até arrumar o guarda-roupa é uma pretensão), filmes, livros, sol, praia, Rio (de Janeiro, viu?!), várias viagens... Ah! Minhas férias... A expectativa de um vulcão em erupção de momentos felizes (várias lavinhas felizes- hehe), e de repente a única coisa que explode é o meu “ócio depressivo”.

Ainda estou em choque, tentando aos poucos me recuperar e “curtir” (uhul \o/ ) o que resta das minhas férias. E fica um conselho para você que como eu já é vaca: pense menos e viva mais (principalmente se você estiver de férias); e para você que ainda não é uma vaca: Como eu te invejo... (como dizem os “pequenos” invejosos: “invejinha boa, invejinha branca” – kkkk onde já se viu existir inveja boa/branca?!¹).


Agora já é fim de tarde e alguns raios de sol tímidos invadem meu quintal e minha alma. Sim, estou de férias e tenho todo um Dezembro pela frente, para me alegrar e às vezes me entristecer. E citando em sonho alheio Caio Fernando Abreu: “Talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor.” Então...

-Garçom, uma dose de amor e um porre para acompanhar.



             Para finalizar: Pro dia nascer feliz (quem sabe né?) - Cazuza


   Por Natália Spósito Lemos

¹Inveja: 1. Desgosto provocado pela felicidade ou prosperidade alheia; 2. Desejo irrefreável de possuir ou gozar o que é de outrem. (Dicionário Houaiss)


ps²: Natália foi sorteada com a postagem de numero 100 do nosso blog, uhuuuul! Você ganhou muito prestígio e um lugar eterno em nossos corações. A equipe 'Viva o Tédio' agradece. 

xoxo
Paula


domingo, 1 de dezembro de 2013

Je me fous du passé!


Música da noite: Non, je ne regrette rien - Edith Piaf

Se, porventura, percebes
Que já não me amas mais,
Vá se embora para sempre – como daquela vez-
“Para nunca mais voltar”
Deixa-me cá quieta, na solidão inesperada,
Olhar-me no espelho de novo
Recuperar a minha paz.

Se, por acaso, lá fora
Nada te interessou,
Volte para casa, meu bem, -como daquela vez-
Grite lá debaixo, com as malas nas mãos,
Que teu amor sou eu
Nada irá nos separar,
Sou a dona dos teus olhos e eterna do teu coração.

Prometa em meu ouvido
Que a ausência nada mudou
Sou um anjo por perdoá-lo - lembra daquela vez?-
“Gosto mesmo é de morenas"
Agora ninguém atrapalha.
A casa está uma beleza!
Que saudade, que saudade, dessas tuas mãos pequenas.

Mas. Contudo. Todavia,
Há tanto “mas” para dizer
Olhei-me no espelho e não via
A mulher que poderia ser.

E saudade daquela moça, para quem tempo ruim não existia,
Só fazia as vontades dela e o amante escolhia.
Perdoar um cafajeste, que sequer a amou de verdade?
Para essa moça não, não havia possibilidade.

E, meu bem, dói lhe dizer
Mas ah! Acredito eu, vai doer mais em você:
A moça que aqui deixou,
Procurou a própria paz
Andou pela casa sozinha
Acabou encontrando demais.

E eu perdoo-o de verdade
Por estas lágrimas sinceras
Mas chorar de joelhos agora
Não trará a mulher que eu era
Então trate de levantar-se,
Ajunte tuas malas no chão,
Vá se embora - para sempre dessa vez-
E leva tua desilusão.